Não mostre (apenas) fatos pra uma pessoa se você quer convencê-la
(Ou, não esfregue um gráfico na cara de alguém pra mostrar que sua opinião é a certa)
(Somente) mais dados e mais informações não vão convencer alguém de que sua opinião sobre política é melhor. Isso porque as pessoas interpretam tudo a partir de lentes próprias. E essas lentes têm mais a ver com o contexto sociocultural e perspectivas morais de cada um do que com a exatidão do que se lê.
Entender isso é importante porque é tentador o impulso de convencer alguém mostrando fatos. Principalmente com o ritmo crescente de publicação de pesquisas eleitorais, queremos esfregar na cara de alguém uma estatística que comprove um ponto e dizer “Está tudo ali, é só ler”. A má notícia é que fatos e opiniões se confundem em um nível muito mais profundo do que a simples expressão política; é uma confusão na forma como enxergamos o que é certo ou errado.
A divergência é moral, mais do que factual. Ou seja, no discurso público, muitas vezes vale mais o que parece ser certo e errado do que se algo é verdadeiro ou falso.
Tenho dois insights rápidos pra nos ajudar a refletir sobre isso:
Pessoas diferentes interpretam estatísticas e gráficos de maneiras profundamente diferentes. Isso é contraintuitivo porque gráficos parecem ser a forma definitiva do que é exato—são dados, afinal. Acontece que experiências e expectativas ditam o que queremos que o os dados digam. O que é brabo nisso é que, por termos a crença de que “dados não mentem”, passamos a ter a verdade a nosso favor, qualquer que seja a verdade.
Pessoas diferentes têm “réguas” diferentes para avaliar o peso de evidências. Mesmo que “pesquisadores da Universidade X” tenham publicado um estudo que valide o seu ponto de vista, essa credencial não tem valor algum pra muita gente. Um pouco de ceticismo é até saudável e é parte de como a ciência avança. Mas em discussões sobre política, a direção pra onde aponta o ceticismo muitas vezes alarga a divergência. Isso porque pessoas têm critérios diferentes para definir se algo é crível ou não; não vai adiantar você tentar mudar essa régua em uma discussão.
Esses insights ajudam a encontrar um ponto em comum para pelo menos conseguir levar a conversa adiante: em vez de tentar convencer pelos fatos, o diálogo começa por reconhecer diferentes critérios e vieses e buscar pontos em comum.
Bem, isso diz um pouco sobre o problema. Na próxima, vou buscar trazer mais sobre possíveis soluções.
